Delaware quer deixar um agente de IA administrar uma empresa e o Congresso dos EUA já pediu documentos; a proposta ainda é só rascunho

WERNER JACOB
WERNER JACOB Cargo: CEO - Insight Marketing Digital
MBA Marketing Digital FGV
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Por Redação Insight · Editor responsável: Werner Jacob · Atualizado em 8 de novembro de 2026.

O estado americano de Delaware estuda criar um tipo de empresa gerida no dia a dia por um agente de IA, a “Artificial Intelligence Company” (AIC). O presidente do Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA, James Comer, pediu documentos ao governador, com prazo até 9 de novembro. A proposta ainda é um rascunho: não há projeto de lei aprovado.

Em 5 de novembro, Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, chamou a ideia de preocupante no X e pediu muita cautela. Abaixo, o que a carta oficial diz, o que a imprensa descreve do rascunho e o que falta saber.

O que seria uma AIC?

Segundo a carta de Comer, citando a secretária de Estado de Delaware, uma AIC seria administrada por um agente de IA e daria proteção de responsabilidade a quem a capitaliza, em caso de danos causados por esse agente, exceto se a pessoa deixar de capitalizar a empresa ou a usar para cometer fraude ou violar a lei de propósito. A ideia foi apresentada em julho de 2026 em um artigo de opinião da secretária Charuni Patibanda-Sanchez e de John Nay, presidente-executivo da Norm Ai, empresa de IA para conformidade legal.

O rascunho de 36 páginas circulou no fim de junho de 2026, segundo a carta, e seria apresentado à Assembleia Geral no ano que vem. O principal redator, o advogado John Mark Zeberkiewicz, do escritório Richards, Layton & Finger, afirmou que a AIC poderia fazer o que qualquer empresa faz.

O que dizem as análises do rascunho

Ponto Como a imprensa e escritórios descrevem o rascunho
Quem é a pessoa jurídica A AIC, não a IA. O agente de IA é o administrador.
Sócio Um único membro, que designa o agente de IA como gestor
Poderes Fazer contratos, ter bens e processar ou ser processada em nome próprio
Limites Funcionaria só dentro de um ambiente de testes regulatório de 30 meses; bancos ficam de fora
Responsabilidade O membro em geral não responde pelas dívidas se a empresa estiver bem capitalizada, com exceções como fraude

Fonte: descrições do rascunho em análises do MLQ.ai e do escritório Harvard Business Services (que citam o texto do projeto); não lemos o documento do rascunho.

O que Comer pede e por quê

Em carta de 26 de outubro ao governador Matt Meyer, Comer diz temer que a AIC proteja empresas de IA e seus investidores da responsabilidade por danos e que haja “forças não transparentes” por trás de iniciativas estaduais de IA. Ele pede, até 9 de novembro de 2026, documentos e comunicações de 1º de janeiro de 2025 até hoje sobre o desenvolvimento da proposta, incluindo acordos com colaboradores de fora do governo, preocupações de segurança e rascunhos.

O comitê também diz que a informação pode ajudar em possíveis esforços federais para limitar iniciativas estaduais de regulação de IA. A carta lembra que um relatório da Comissão de IA de Delaware, de dezembro de 2025, não mencionou avaliações de risco ou consultas a especialistas independentes, e que o gabinete da secretária de Estado não respondeu a perguntas de um veículo de imprensa sobre a relação com a empresa de IA envolvida.

O que os defensores dizem

Patibanda-Sanchez e Nay defendem que dar forma jurídica aos agentes os torna identificáveis e rastreáveis, e a secretária já declarou que a nova figura traria receita ao estado. Críticos citados pela imprensa, como professores de direito, questionam quem seria responsável e dizem que falta um plano geral para lidar com os efeitos. Não encontramos, nas fontes lidas, a resposta do governador à carta.

O que as fontes não dizem

  • Se a AIC chegará a ser votada: segundo a imprensa, a Assembleia deve voltar ao tema em janeiro de 2027, mas não há projeto de lei no sistema legislativo.
  • Como a responsabilidade seria dividida na prática em caso de dano, ponto que os próprios críticos chamam de em aberto.
  • Nada nessas fontes afeta empresas brasileiras hoje.

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