Agentes de IA do Google DeepMind acharam duas fraquezas no RSA de 1024 bits; a criptografia de 2048 bits ou mais segue segura, diz a empresa

WERNER JACOB
WERNER JACOB Cargo: CEO - Insight Marketing Digital
MBA Marketing Digital FGV
Última atualização:

Por Redação Insight · Editor responsável: Werner Jacob · Atualizado em 8 de novembro de 2026.

O Google DeepMind anunciou em 6 de novembro que agentes de IA, guiados por supervisão humana, encontraram duas fraquezas importantes em criptografia RSA de 1024 bits, um padrão antigo. A empresa diz que a criptografia moderna, que quase sempre usa chaves de 2048 bits ou mais, continua segura. Além disso, parte dos números é estimativa teórica, e não um ataque real.

A informação vem de um fio de Pushmeet Kohli, vice-presidente de ciência do DeepMind, e de um post da conta oficial da empresa no X. Abaixo, o que eles afirmam, com o que foi testado e o que é estimativa.

Por que o RSA depende de “dureza” matemática?

Segundo o DeepMind, sistemas como o RSA se apoiam em um fato: multiplicar dois números primos grandes é fácil, mas desfazer a conta (fatorar o produto) é computacionalmente muito mais difícil. Essa dificuldade protege comunicações cifradas e assinaturas digitais. A comunidade de criptoanálise testa essas hipóteses o tempo todo, usando sistemas aposentados, como o RSA de 1024 bits, como terreno seguro de prova.

Primeira fraqueza: o “padding” das assinaturas digitais

Muitos padrões de assinatura adicionam dados fixos (padding) à mensagem antes de assinar, para completar um bloco de tamanho fixo. Os criptógrafos sabiam que isso ajuda a evitar falsificação, mas não quanto de proteção ele dá quando o atacante consegue enviar entradas escolhidas a um dispositivo de assinatura.

O DeepMind afirma que a resposta depende de quanto do bloco o atacante controla. Quando ele controla cerca de metade do bloco ou mais, o padding não dá proteção nenhuma. Num teste em simulação isolada, sem tocar em sistemas reais, os agentes reproduziram o resultado numa chave de 1024 bits já resolvida em um estudo acadêmico anterior, usando 3,5 vezes menos tempo de CPU e menos de um milésimo da computação necessária para quebrar a chave em si.

Para o caso mais difícil, em que o atacante controla pouco do bloco, como uma impressão digital de 32 bytes, a empresa diz ter achado um algoritmo novo que, pelas estimativas teóricas dela, melhora o melhor método anterior em cerca de 1.600 vezes para chaves de 1024 bits.

Segunda fraqueza: fatorar muitas chaves de uma vez

As chaves RSA costumam ter tamanhos padronizados, como 1024 ou 2048 bits. Em teoria, um atacante pode diluir o custo de uma grande computação inicial entre muitas chaves. Segundo o DeepMind, os agentes descobriram um algoritmo com complexidade assintótica melhor que a dos métodos anteriores, que reduz em cerca de 30 vezes o custo médio de fatorar cada chave adicional de 1024 bits, entre várias.

Resultado Número divulgado Tipo de evidência
Falsificação de assinatura, atacante controla metade do bloco ou mais 3,5 vezes menos CPU Reprodução em simulação isolada, numa chave já resolvida
Falsificação de assinatura, impressão digital de 32 bytes cerca de 1.600 vezes melhor Estimativa teórica
Fatoração em lote de chaves de 1024 bits cerca de 30 vezes menos por chave adicional Melhor complexidade assintótica, segundo a empresa

Fonte: fio de Pushmeet Kohli no X (6/11/2026).

O que isso muda para você

O próprio DeepMind afirma que os resultados só afetam sistemas obsoletos de RSA de 1024 bits e que os protocolos modernos seguem seguros. O ponto levantado pela empresa é outro: em uma era de matemática com IA, a “dureza” de um problema criptográfico não deve ser tratada como uma suposição fixa. Quem administra sistemas antigos pode conferir o tamanho das chaves RSA em uso; 2048 bits ou mais é o padrão atual citado pelo DeepMind.

Quem fez e o que as fontes não dizem

O trabalho foi liderado por Dj Dvijotham e Abhradeep Thakurta, em colaboração com Nadia Heninger (UC San Diego e Inria) e Emmanuel Thomé (Inria). O DeepMind diz ter publicado dois artigos técnicos, um sobre assinaturas digitais e outro sobre fatoração de chaves; não os lemos, e os números acima vêm do fio dele.

  • Nenhuma chave RSA real foi quebrada, segundo o relato; os testes foram em simulação.
  • O fio não informa quais modelos de IA foram usados.
  • Os números de 1.600 vezes e 30 vezes são estimativas ou resultados teóricos da própria empresa, sem confirmação independente.

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Fontes

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